

A acreditação hospitalar é um processo formal de avaliação externa que certifica se uma instituição de saúde atende a padrões previamente estabelecidos de qualidade, segurança e gestão. Ao longo das últimas décadas, esse instrumento deixou de ser apenas um selo de conformidade técnica para se tornar uma importante ferramenta estratégica na gestão hospitalar.
A origem da acreditação hospitalar remonta ao início do século XX, nos Estados Unidos. Em 1917, o American College of Surgeons (ACS) criou o "Hospital Standardization Program", com o objetivo de padronizar práticas médicas e melhorar a segurança dos pacientes. Na época, apenas uma pequena parcela dos hospitais atendia aos critérios mínimos de qualidade.
Em 1951, esse programa evoluiu para a criação da Joint Commission on Accreditation of Hospitals, atual Joint Commission International (JCI), que se tornou uma das principais referências mundiais em acreditação.
A partir da segunda metade do século XX, o modelo norte-americano foi adaptado e difundido para outros países. Surgiram, então, diferentes organismos acreditadores, respeitando as particularidades locais:
Canadá: Accreditation Canada
Reino Unido: Care Quality Commission (CQC)
França: Haute Autorité de Santé (HAS)
Brasil: Organização Nacional de Acreditação (ONA)
Internacional: Joint Commission International (JCI)
No Brasil, a ONA foi fundada em 1999, com o objetivo de promover a melhoria contínua da qualidade na assistência à saúde.
As acreditações baseiam-se em alguns princípios fundamentais:
Avaliação voluntária
Processo educativo
Melhoria contínua
Foco na segurança do paciente
Gestão baseada em processos
Transparência
O processo envolve auditorias periódicas realizadas por avaliadores independentes, que analisam estrutura, processos e resultados das instituições.
A acreditação só faz sentido se houver alinhamento com a missão, visão e valores institucionais aos processos assistenciais e administrativos. Seus padrões funcionam como um guia para a definição de metas estratégicas. Com padronização de protocolos, redução de eventos adversos, melhoria na comunicação entre equipes e fortalecimento da cultura de segurança. É interessante que quando se inicia um processo de acreditação em uma instituição, o número de notificações de não conformidades ou falhas é baixo. À medida que a cultura de segurança , e de não punição, se consolida , o número de notificações aumenta substancialmente. A cultura que se cristaliza é a cultura do aprendizado e melhoria contínua. Isso me lembra uma publicação importantíssima da década de 1990. O livro “ A Quinta Disciplina" de Peter Senge, em que o argumento principal é a “instituição que aprende”. Ele argumenta que “precisamos desenvolver um novo sistema de gestão baseado no amor em lugar do medo, na curiosidade no lugar do dogmatismo e do apego às respostas certas, e do aprendizado em lugar do controle”. Embora ele não tenha escrito com foco na área da saúde, tem tudo a ver com uma instituição que se propõe a ser humanizada e segura na área da saúde.
Hospitais acreditados tendem a apresentar maior credibilidade junto a pacientes, operadoras de saúde e órgãos reguladores. O selo de acreditação pode ser utilizado como diferencial competitivo no mercado. A Agencia Nacional de Saude (ANSS) implantou o projeto Qualiss e da RN 507 incentivando que instituições busquem acreditações e que isso poderia ser usado para negociar valores melhores em reajustes e incentivar o pagamento por desempenho (“pay for performance” ) com as fontes pagadoras, ação que ainda não se traduziu plenamente em realidade.
A acreditação estimula o uso sistemático de indicadores de desempenho, tais como:
Taxa de infecção hospitalar
Tempo médio de internação
Índice de readmissão
Satisfação do paciente
Esses indicadores subsidiam decisões gerenciais baseadas em evidências.
Outro benefício da busca de acreditações é que o processo de acreditação favorece:
Capacitação contínua de profissionais
Engajamento das equipes
Fortalecimento da liderança
Melhoria do clima organizacional
Embora a acreditação exija investimentos em infraestrutura, treinamento e sistemas de informação, seus benefícios econômicos incluem:
Redução de desperdícios
Menor custo com retrabalho
Diminuição de processos judiciais
Melhor negociação com operadoras. Pelo menos em teoria, hospitais com selos de qualidade teriam um adicional de reajuste em suas negociações anuais com operadoras.
Porém, a implementação de um processo enfrenta desafios significativos. Entre os principais desafios, destacam-se: resistência natural a mudanças, sobrecarga das equipes assistenciais, custos iniciais elevados (contratação de assessoria especializada), pagamentos periódicos a instituições acreditadoras, e a própria manutenção dos padrões conseguidos ao longo do tempo (pessoas e treinamentos). As críticas à sua implementação vão desde excessiva burocratização de processos (formulários, etc), perda de foco no paciente (focar no processo e não no resultado), onde a instituição passa a se preparar “para a auditoria” e não na melhoria da qualidade e segurança. Outra crítica, foca na própria falta de evidência científica robusta de que os resultados clínicos melhoram com a implantação de todo processo. Ainda se observa que a acreditação tende a ser mais facilmente alcançada por grandes hospitais privados ou de alta complexidade, que possuem mais recursos financeiros e estrutura administrativa. Isso pode gerar uma desigualdade no sistema, deixando hospitais menores ou públicos com mais dificuldade de participar do processo. Mesmo assim, quando bem implementada, a acreditação continua sendo considerada uma importante ferramenta de gestão da qualidade e segurança em saúde.
Em conclusão, podemos dizer que a acreditação hospitalar surgiu como resposta à necessidade de padronizar e qualificar a assistência em saúde. Ao longo do tempo, evoluiu para um instrumento estratégico essencial, capaz de promover qualidade, segurança, competitividade e sustentabilidade. Quando incorporada à cultura institucional, torna-se um poderoso mecanismo de transformação cultural.
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rastreável e totalmente automatizada.
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- Detecção de lacunas de aprendizagem
- Automação de avaliações e certificações
- Controle de prazos de revalidação
- Conexão com intervenções presenciais
- Relatórios inteligentes para tomada de decisão.
Seu processo de recertificação nunca mais será o mesmo. Além disso, a satisfação dos colaboradores e o impacto nas rotinas de trabalho gerarão benefícios administrativos e assistenciais.
Sua equipe evolui. Sua gestão acompanha. Seu hospital adquire uma cultura de aprendizagem em jornadas contínuas. Seus resultados aparecem.
SAIBA MAIS
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A origem da acreditação hospitalar remonta ao início do século XX, nos Estados Unidos. Em 1917, o American College of Surgeons (ACS) criou o "Hospital Standardization Program", com o objetivo de padronizar práticas médicas e melhorar a segurança dos pacientes. Na época, apenas uma pequena parcela dos hospitais atendia aos critérios mínimos de qualidade.
Em 1951, esse programa evoluiu para a criação da Joint Commission on Accreditation of Hospitals, atual Joint Commission International (JCI), que se tornou uma das principais referências mundiais em acreditação.
A partir da segunda metade do século XX, o modelo norte-americano foi adaptado e difundido para outros países. Surgiram, então, diferentes organismos acreditadores, respeitando as particularidades locais:
Canadá: Accreditation Canada
Reino Unido: Care Quality Commission (CQC)
França: Haute Autorité de Santé (HAS)
Brasil: Organização Nacional de Acreditação (ONA)
Internacional: Joint Commission International (JCI)
No Brasil, a ONA foi fundada em 1999, com o objetivo de promover a melhoria contínua da qualidade na assistência à saúde.
As acreditações baseiam-se em alguns princípios fundamentais:
Avaliação voluntária
Processo educativo
Melhoria contínua
Foco na segurança do paciente
Gestão baseada em processos
Transparência
O processo envolve auditorias periódicas realizadas por avaliadores independentes, que analisam estrutura, processos e resultados das instituições.
A acreditação só faz sentido se houver alinhamento com a missão, visão e valores institucionais aos processos assistenciais e administrativos. Seus padrões funcionam como um guia para a definição de metas estratégicas. Com padronização de protocolos, redução de eventos adversos, melhoria na comunicação entre equipes e fortalecimento da cultura de segurança. É interessante que quando se inicia um processo de acreditação em uma instituição, o número de notificações de não conformidades ou falhas é baixo. À medida que a cultura de segurança , e de não punição, se consolida , o número de notificações aumenta substancialmente. A cultura que se cristaliza é a cultura do aprendizado e melhoria contínua. Isso me lembra uma publicação importantíssima da década de 1990. O livro “ A Quinta Disciplina" de Peter Senge, em que o argumento principal é a “instituição que aprende”. Ele argumenta que “precisamos desenvolver um novo sistema de gestão baseado no amor em lugar do medo, na curiosidade no lugar do dogmatismo e do apego às respostas certas, e do aprendizado em lugar do controle”. Embora ele não tenha escrito com foco na área da saúde, tem tudo a ver com uma instituição que se propõe a ser humanizada e segura na área da saúde.
Hospitais acreditados tendem a apresentar maior credibilidade junto a pacientes, operadoras de saúde e órgãos reguladores. O selo de acreditação pode ser utilizado como diferencial competitivo no mercado. A Agencia Nacional de Saude (ANSS) implantou o projeto Qualiss e da RN 507 incentivando que instituições busquem acreditações e que isso poderia ser usado para negociar valores melhores em reajustes e incentivar o pagamento por desempenho (“pay for performance” ) com as fontes pagadoras, ação que ainda não se traduziu plenamente em realidade.
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Porém, a implementação de um processo enfrenta desafios significativos. Entre os principais desafios, destacam-se: resistência natural a mudanças, sobrecarga das equipes assistenciais, custos iniciais elevados (contratação de assessoria especializada), pagamentos periódicos a instituições acreditadoras, e a própria manutenção dos padrões conseguidos ao longo do tempo (pessoas e treinamentos). As críticas à sua implementação vão desde excessiva burocratização de processos (formulários, etc), perda de foco no paciente (focar no processo e não no resultado), onde a instituição passa a se preparar “para a auditoria” e não na melhoria da qualidade e segurança. Outra crítica, foca na própria falta de evidência científica robusta de que os resultados clínicos melhoram com a implantação de todo processo. Ainda se observa que a acreditação tende a ser mais facilmente alcançada por grandes hospitais privados ou de alta complexidade, que possuem mais recursos financeiros e estrutura administrativa. Isso pode gerar uma desigualdade no sistema, deixando hospitais menores ou públicos com mais dificuldade de participar do processo. Mesmo assim, quando bem implementada, a acreditação continua sendo considerada uma importante ferramenta de gestão da qualidade e segurança em saúde.
Em conclusão, podemos dizer que a acreditação hospitalar surgiu como resposta à necessidade de padronizar e qualificar a assistência em saúde. Ao longo do tempo, evoluiu para um instrumento estratégico essencial, capaz de promover qualidade, segurança, competitividade e sustentabilidade. Quando incorporada à cultura institucional, torna-se um poderoso mecanismo de transformação cultural.
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A origem da acreditação hospitalar remonta ao início do século XX, nos Estados Unidos. Em 1917, o American College of Surgeons (ACS) criou o "Hospital Standardization Program", com o objetivo de padronizar práticas médicas e melhorar a segurança dos pacientes. Na época, apenas uma pequena parcela dos hospitais atendia aos critérios mínimos de qualidade.
Em 1951, esse programa evoluiu para a criação da Joint Commission on Accreditation of Hospitals, atual Joint Commission International (JCI), que se tornou uma das principais referências mundiais em acreditação.
A partir da segunda metade do século XX, o modelo norte-americano foi adaptado e difundido para outros países. Surgiram, então, diferentes organismos acreditadores, respeitando as particularidades locais:
Canadá: Accreditation Canada
Reino Unido: Care Quality Commission (CQC)
França: Haute Autorité de Santé (HAS)
Brasil: Organização Nacional de Acreditação (ONA)
Internacional: Joint Commission International (JCI)
No Brasil, a ONA foi fundada em 1999, com o objetivo de promover a melhoria contínua da qualidade na assistência à saúde.
As acreditações baseiam-se em alguns princípios fundamentais:
Avaliação voluntária
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Foco na segurança do paciente
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A acreditação só faz sentido se houver alinhamento com a missão, visão e valores institucionais aos processos assistenciais e administrativos. Seus padrões funcionam como um guia para a definição de metas estratégicas. Com padronização de protocolos, redução de eventos adversos, melhoria na comunicação entre equipes e fortalecimento da cultura de segurança. É interessante que quando se inicia um processo de acreditação em uma instituição, o número de notificações de não conformidades ou falhas é baixo. À medida que a cultura de segurança , e de não punição, se consolida , o número de notificações aumenta substancialmente. A cultura que se cristaliza é a cultura do aprendizado e melhoria contínua. Isso me lembra uma publicação importantíssima da década de 1990. O livro “ A Quinta Disciplina" de Peter Senge, em que o argumento principal é a “instituição que aprende”. Ele argumenta que “precisamos desenvolver um novo sistema de gestão baseado no amor em lugar do medo, na curiosidade no lugar do dogmatismo e do apego às respostas certas, e do aprendizado em lugar do controle”. Embora ele não tenha escrito com foco na área da saúde, tem tudo a ver com uma instituição que se propõe a ser humanizada e segura na área da saúde.
Hospitais acreditados tendem a apresentar maior credibilidade junto a pacientes, operadoras de saúde e órgãos reguladores. O selo de acreditação pode ser utilizado como diferencial competitivo no mercado. A Agencia Nacional de Saude (ANSS) implantou o projeto Qualiss e da RN 507 incentivando que instituições busquem acreditações e que isso poderia ser usado para negociar valores melhores em reajustes e incentivar o pagamento por desempenho (“pay for performance” ) com as fontes pagadoras, ação que ainda não se traduziu plenamente em realidade.
A acreditação estimula o uso sistemático de indicadores de desempenho, tais como:
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Esses indicadores subsidiam decisões gerenciais baseadas em evidências.
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Redução de desperdícios
Menor custo com retrabalho
Diminuição de processos judiciais
Melhor negociação com operadoras. Pelo menos em teoria, hospitais com selos de qualidade teriam um adicional de reajuste em suas negociações anuais com operadoras.
Porém, a implementação de um processo enfrenta desafios significativos. Entre os principais desafios, destacam-se: resistência natural a mudanças, sobrecarga das equipes assistenciais, custos iniciais elevados (contratação de assessoria especializada), pagamentos periódicos a instituições acreditadoras, e a própria manutenção dos padrões conseguidos ao longo do tempo (pessoas e treinamentos). As críticas à sua implementação vão desde excessiva burocratização de processos (formulários, etc), perda de foco no paciente (focar no processo e não no resultado), onde a instituição passa a se preparar “para a auditoria” e não na melhoria da qualidade e segurança. Outra crítica, foca na própria falta de evidência científica robusta de que os resultados clínicos melhoram com a implantação de todo processo. Ainda se observa que a acreditação tende a ser mais facilmente alcançada por grandes hospitais privados ou de alta complexidade, que possuem mais recursos financeiros e estrutura administrativa. Isso pode gerar uma desigualdade no sistema, deixando hospitais menores ou públicos com mais dificuldade de participar do processo. Mesmo assim, quando bem implementada, a acreditação continua sendo considerada uma importante ferramenta de gestão da qualidade e segurança em saúde.
Em conclusão, podemos dizer que a acreditação hospitalar surgiu como resposta à necessidade de padronizar e qualificar a assistência em saúde. Ao longo do tempo, evoluiu para um instrumento estratégico essencial, capaz de promover qualidade, segurança, competitividade e sustentabilidade. Quando incorporada à cultura institucional, torna-se um poderoso mecanismo de transformação cultural.
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