

Quando falo com estudantes sobre envelhecimento, uso o Alzheimer como modelo para explicar o impacto da Medicina do Estilo de Vida (MEV) no envelhecimento saudável.
Há um artigo canônico sobre prevenção de Alzheimer pelo Lancet.(Livingston et al., 2024) A discussão é tão relevante, que desde a sua primeira publicação em 2018 ele já passou por 3 novas revisões, a última de 2024. A discussão é tão relevante, que vários países fizeram pesquisas similares, e organizaram os dados com a mesma forma gráfica de visualização. A discussão é tão relevante que temos uma versão brasileira, publicada em 2025(Suemoto et al., 2025), segue o gráfico abaixo:

O artigo original, cuja leitura eu recomendo a todo residente de geriatria, é imprescindível para compreender o porquê de se discutir MEV para médicos em formação.
A partir de agora posso dizer que recomendo a leitura do artigo a todos que me leem, ou que porventura me lerão. Recomendaria que após a leitura do artigo vocês conversem com a comunidade onde estão inseridos. Na mesa de jantar, na escola dos filhos, no grupo religioso que frequentam. Recomendaria que fosse tema obrigatório nas salas de aula do primário.
Voltando ao tema: Como disse previamente, o raciocínio do “começar pelo porque” é cíclico. Seria interessante que não o abandonassem, vou voltar a ele várias vezes ao longo das nossas conversas no futuro, ok?
Então, vamos lá. Por que você falar de Alzheimer numa coluna de MEV, Lucas?
Esse tema não seria mais adequado a coluna de longevidade?
Porque o Alzheimer é uma doença da idade adulta, profundamente sensível ao estilo de vida das pessoas, e que se manifesta após os 65 anos de idade.
Esse argumento não é meu, ouvi em um podcast e não me recordo o autor da frase, mas me impactou profundamente.
Os fatores de risco descritos no artigo levam a danos cumulativos, uma sobreposição de riscos absolutamente evitáveis, contornáveis ou controláveis, que se manifestam como doença de Alzheimer apenas quando nos tornamos idosos.
Esses fatores de risco não causam danos imediatos visíveis, e por isso acabam não sendo valorizados.
O gráfico acima mostra os fatores de risco atribuíveis, que se devidamente tratados reduziriam o risco de Alzheimer.
No Brasil, 59,5% dos casos de Alzheimer seriam evitáveis, caso tratássemos de maneira efetiva as condições listadas.

Construção própria, adaptado de (Livingston et al., 2024; Suemoto et al., 2025)
Todas as condições listadas são diretamente afetadas por políticas de saúde pública, mas acredito que a maioria de nós nunca pensou em isolamento social ou mesmo educação infantil como saúde pública. Certamente nunca havia passado pela minha cabeça antes de estudar o tema que a quantidade de anos que uma criança passa na escola teria impacto no seu envelhecimento, ou no risco que essa pessoa tem de desenvolver Alzheimer quando se tornar idoso. A discussão em torno desse tema é fascinante, envolve com a construção de conexões entre neurônios (tambem chamadas de sinapses) decorre dos estímulos recebidos na infância.
Essas conexões protegem nosso cérebro do impacto da perda neuronal que ocorre com o envelhecimento, diminuindo o risco de desenvolvimento de Alzheimer.
No Brasil, 9% dos casos de demência podem ser atribuídos ao baixo nível educacional, no estudo descritos como 8 anos ou menos de educação formal. Não foram contabilizados aqui o aprendizado de uma segunda língua, a educação musical, o aprendizado de habilidades técnicas manuais, e várias outras vertentes de estímulo cognitivo que certamente impactam a formação de conexões neuronais, e que certamente contribuiriam de maneira positiva para a prevenção.
Outra forma de perceber o impacto de estímulos (dos mais variados) é olhar o quanto a perda auditiva e a perda visual impactam o risco de Alzheimer, 9,2 e 3,6% na população brasileira, respectivamente. O estímulo sensorial é fundamental para a manutenção das sinapses entre neurônios. Da mesma forma que um musculo que inativo atrofia, as sinapses perdem a função na ausência de estímulos, aumentando o risco de Alzheimer de quem não corrige problemas visuais, fazendo a cirurgia de catarata, por exemplo, ou a perda auditiva, ao colocar uma prótese auditiva.
O mesmo raciocínio se aplica ao isolamento social. A definição de isolamento social pelo estudo foi de “ver amigos ou familiares menos de uma vez por mês”. No âmbito do estudo inglês, o impacto do isolamento social foi muito maior, com 5% dos casos podem ser atribuídos. A falta de pessoas com quem falar, com quem interagir, gera um aumento significativo do risco. A título de comparação, o risco atribuído a fatores genéticos no estudo de 2018 foi de 8%.
Pode parecer trivial, não? Afinal, estamos falando de coisas que usualmente não são discutidas no âmbito de saúde pública. Afinal nunca falamos sobre prevenir Alzheimer. Os fatores que citei até agora possuem um impacto atribuível somado de 18,9%, e confesso que nunca tive um paciente que tenha me procurado por preocupações com a própria memória correlacionando a queixa com esses fatores de risco. Todos chegam preocupados com a Herança Genética, quando na verdade a discussão tem uma relação muito mais profunda com hábitos familiares e epigenética do que um gene específico.
Uma perspectiva, infinitamente mais interessante para a discussão, é de que não existe nenhuma medicação que possua qualquer impacto similar na redução de risco na Doença de Alzheimer.
Atualmente (dado atualizado dia 05 de maio de 2026) existem 158 medicamentos para o tratamento da doença de Alzheimer no pipeline de desenvolvimento de medicamentos de 2026. 55.000 participantes são necessários para preencher todos os ensaios atualmente ativos, com um investimento massivo da indústria biofarmacêutica, 59% de todos os ensaios e 72% dos ensaios de Fase 3 são patrocinados pela indústria.(Cummings et al., 2026).
Acompanho esse dado desde minha residência e, após uma série de expectativas bastante frustradas, o melhor que conseguimos nos últimos 20 anos com as primeiras drogas liberadas foi apenas retardar a evolução da doença em cerca de 35%, somente em pacientes selecionados, com um custo previsto entre 8 a 30 mil reais por dose num tratamento mensal de 18 meses.
E se nós invertêssemos a lógica? Que tal considerar a ideia de investir em políticas publicas de prevenção? Que tal olharmos para cada um dos pilares que o Colégio Brasileirio de Medicina de Vida (CBMEV) preconiza?
Os atentos já perceberam no texto, falamos brevemente do pilar de Conectividade. Os demais são Atividade Física, Nutrição, Sono, Manejo do Estresse e Saúde Emocional, e por último o Controle de Substâncias de Risco. Esses pilares possuem uma relação bastante clara com todos os fatores de risco que conversamos aqui. E de uma maneira bastante objetiva, na população brasileira conseguiríamos reduzir a incidência da Doença de Alzheimer em 59.5%. Não se trata de atrasar a evolução inevitável de uma doença, como os tratamentos propõem. Trata-se de diminuir o risco.
Prefiro esse caminho.
E quanto a caminho, temos dois caminhos por aqui, caro leitor. A primeira opção é aprofundarmos a discussão sobre os pilares da medicina do estilo de vida, acredito que um texto dedicado a cada um seja suficiente para uma introdução ao tema.
A segunda é falarmos sobre como podemos apoiar as pessoas a realizarem mudanças, como engajá-las e como sustentar essa mudança. Como já disse, teremos tempo. E ao longo do tempo teremos ambos conteúdos na coluna, mas gostaria da opinião para construir o cronograma. Sobre o que gostariam de conversar primeiro?
Referências bibliográficas
Cummings, J. L., Zhou, Y., Yang, Y., Zhong, K., Fonseca, J., Osse, A. L., & Cheng, F. (2026). Alzheimer’s disease drug development pipeline: In Alzheimer’s and Dementia: Translational Research and Clinical Interventions (Vol. 12, Number 2). John Wiley and Sons Inc. https://doi.org/10.1002/trc2.70251
Livingston, G., Huntley, J., Liu, K. Y., Costafreda, S. G., Selbæk, G., Alladi, S., Ames, D., Banerjee, S., Burns, A., Brayne, C., Fox, N. C., Ferri, C. P., Gitlin, L. N., Howard, R., Kales, H. C., Kivimäki, M., Larson, E. B., Nakasujja, N., Rockwood, K., ... Mukadam, N. (2024). Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. In The Lancet (Vol. 404, Number 10452, pp. 572–628). Elsevier B.V. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(24)01296-0
Suemoto, C. K., Borelli, W. V., Calandri, I. L., Bertola, L., Castilhos, R. M., Caramelli, P., Nitrini, R., Brucki, S. M. D., Laks, J., Mukadam, N., Livingston, G., & Ferri, C. P. (2025). The potential for dementia prevention in Brazil: a population attributable fraction calculation for 14 modifiable risk factors. The Lancet Regional Health - Americas, 49. https://doi.org/10.1016/j.lana.2025.101209
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Há um artigo canônico sobre prevenção de Alzheimer pelo Lancet.(Livingston et al., 2024) A discussão é tão relevante, que desde a sua primeira publicação em 2018 ele já passou por 3 novas revisões, a última de 2024. A discussão é tão relevante, que vários países fizeram pesquisas similares, e organizaram os dados com a mesma forma gráfica de visualização. A discussão é tão relevante que temos uma versão brasileira, publicada em 2025(Suemoto et al., 2025), segue o gráfico abaixo:

O artigo original, cuja leitura eu recomendo a todo residente de geriatria, é imprescindível para compreender o porquê de se discutir MEV para médicos em formação.
A partir de agora posso dizer que recomendo a leitura do artigo a todos que me leem, ou que porventura me lerão. Recomendaria que após a leitura do artigo vocês conversem com a comunidade onde estão inseridos. Na mesa de jantar, na escola dos filhos, no grupo religioso que frequentam. Recomendaria que fosse tema obrigatório nas salas de aula do primário.
Voltando ao tema: Como disse previamente, o raciocínio do “começar pelo porque” é cíclico. Seria interessante que não o abandonassem, vou voltar a ele várias vezes ao longo das nossas conversas no futuro, ok?
Então, vamos lá. Por que você falar de Alzheimer numa coluna de MEV, Lucas?
Esse tema não seria mais adequado a coluna de longevidade?
Porque o Alzheimer é uma doença da idade adulta, profundamente sensível ao estilo de vida das pessoas, e que se manifesta após os 65 anos de idade.
Esse argumento não é meu, ouvi em um podcast e não me recordo o autor da frase, mas me impactou profundamente.
Os fatores de risco descritos no artigo levam a danos cumulativos, uma sobreposição de riscos absolutamente evitáveis, contornáveis ou controláveis, que se manifestam como doença de Alzheimer apenas quando nos tornamos idosos.
Esses fatores de risco não causam danos imediatos visíveis, e por isso acabam não sendo valorizados.
O gráfico acima mostra os fatores de risco atribuíveis, que se devidamente tratados reduziriam o risco de Alzheimer.
No Brasil, 59,5% dos casos de Alzheimer seriam evitáveis, caso tratássemos de maneira efetiva as condições listadas.

Construção própria, adaptado de (Livingston et al., 2024; Suemoto et al., 2025)
Todas as condições listadas são diretamente afetadas por políticas de saúde pública, mas acredito que a maioria de nós nunca pensou em isolamento social ou mesmo educação infantil como saúde pública. Certamente nunca havia passado pela minha cabeça antes de estudar o tema que a quantidade de anos que uma criança passa na escola teria impacto no seu envelhecimento, ou no risco que essa pessoa tem de desenvolver Alzheimer quando se tornar idoso. A discussão em torno desse tema é fascinante, envolve com a construção de conexões entre neurônios (tambem chamadas de sinapses) decorre dos estímulos recebidos na infância.
Essas conexões protegem nosso cérebro do impacto da perda neuronal que ocorre com o envelhecimento, diminuindo o risco de desenvolvimento de Alzheimer.
No Brasil, 9% dos casos de demência podem ser atribuídos ao baixo nível educacional, no estudo descritos como 8 anos ou menos de educação formal. Não foram contabilizados aqui o aprendizado de uma segunda língua, a educação musical, o aprendizado de habilidades técnicas manuais, e várias outras vertentes de estímulo cognitivo que certamente impactam a formação de conexões neuronais, e que certamente contribuiriam de maneira positiva para a prevenção.
Outra forma de perceber o impacto de estímulos (dos mais variados) é olhar o quanto a perda auditiva e a perda visual impactam o risco de Alzheimer, 9,2 e 3,6% na população brasileira, respectivamente. O estímulo sensorial é fundamental para a manutenção das sinapses entre neurônios. Da mesma forma que um musculo que inativo atrofia, as sinapses perdem a função na ausência de estímulos, aumentando o risco de Alzheimer de quem não corrige problemas visuais, fazendo a cirurgia de catarata, por exemplo, ou a perda auditiva, ao colocar uma prótese auditiva.
O mesmo raciocínio se aplica ao isolamento social. A definição de isolamento social pelo estudo foi de “ver amigos ou familiares menos de uma vez por mês”. No âmbito do estudo inglês, o impacto do isolamento social foi muito maior, com 5% dos casos podem ser atribuídos. A falta de pessoas com quem falar, com quem interagir, gera um aumento significativo do risco. A título de comparação, o risco atribuído a fatores genéticos no estudo de 2018 foi de 8%.
Pode parecer trivial, não? Afinal, estamos falando de coisas que usualmente não são discutidas no âmbito de saúde pública. Afinal nunca falamos sobre prevenir Alzheimer. Os fatores que citei até agora possuem um impacto atribuível somado de 18,9%, e confesso que nunca tive um paciente que tenha me procurado por preocupações com a própria memória correlacionando a queixa com esses fatores de risco. Todos chegam preocupados com a Herança Genética, quando na verdade a discussão tem uma relação muito mais profunda com hábitos familiares e epigenética do que um gene específico.
Uma perspectiva, infinitamente mais interessante para a discussão, é de que não existe nenhuma medicação que possua qualquer impacto similar na redução de risco na Doença de Alzheimer.
Atualmente (dado atualizado dia 05 de maio de 2026) existem 158 medicamentos para o tratamento da doença de Alzheimer no pipeline de desenvolvimento de medicamentos de 2026. 55.000 participantes são necessários para preencher todos os ensaios atualmente ativos, com um investimento massivo da indústria biofarmacêutica, 59% de todos os ensaios e 72% dos ensaios de Fase 3 são patrocinados pela indústria.(Cummings et al., 2026).
Acompanho esse dado desde minha residência e, após uma série de expectativas bastante frustradas, o melhor que conseguimos nos últimos 20 anos com as primeiras drogas liberadas foi apenas retardar a evolução da doença em cerca de 35%, somente em pacientes selecionados, com um custo previsto entre 8 a 30 mil reais por dose num tratamento mensal de 18 meses.
E se nós invertêssemos a lógica? Que tal considerar a ideia de investir em políticas publicas de prevenção? Que tal olharmos para cada um dos pilares que o Colégio Brasileirio de Medicina de Vida (CBMEV) preconiza?
Os atentos já perceberam no texto, falamos brevemente do pilar de Conectividade. Os demais são Atividade Física, Nutrição, Sono, Manejo do Estresse e Saúde Emocional, e por último o Controle de Substâncias de Risco. Esses pilares possuem uma relação bastante clara com todos os fatores de risco que conversamos aqui. E de uma maneira bastante objetiva, na população brasileira conseguiríamos reduzir a incidência da Doença de Alzheimer em 59.5%. Não se trata de atrasar a evolução inevitável de uma doença, como os tratamentos propõem. Trata-se de diminuir o risco.
Prefiro esse caminho.
E quanto a caminho, temos dois caminhos por aqui, caro leitor. A primeira opção é aprofundarmos a discussão sobre os pilares da medicina do estilo de vida, acredito que um texto dedicado a cada um seja suficiente para uma introdução ao tema.
A segunda é falarmos sobre como podemos apoiar as pessoas a realizarem mudanças, como engajá-las e como sustentar essa mudança. Como já disse, teremos tempo. E ao longo do tempo teremos ambos conteúdos na coluna, mas gostaria da opinião para construir o cronograma. Sobre o que gostariam de conversar primeiro?
Referências bibliográficas
Cummings, J. L., Zhou, Y., Yang, Y., Zhong, K., Fonseca, J., Osse, A. L., & Cheng, F. (2026). Alzheimer’s disease drug development pipeline: In Alzheimer’s and Dementia: Translational Research and Clinical Interventions (Vol. 12, Number 2). John Wiley and Sons Inc. https://doi.org/10.1002/trc2.70251
Livingston, G., Huntley, J., Liu, K. Y., Costafreda, S. G., Selbæk, G., Alladi, S., Ames, D., Banerjee, S., Burns, A., Brayne, C., Fox, N. C., Ferri, C. P., Gitlin, L. N., Howard, R., Kales, H. C., Kivimäki, M., Larson, E. B., Nakasujja, N., Rockwood, K., ... Mukadam, N. (2024). Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. In The Lancet (Vol. 404, Number 10452, pp. 572–628). Elsevier B.V. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(24)01296-0
Suemoto, C. K., Borelli, W. V., Calandri, I. L., Bertola, L., Castilhos, R. M., Caramelli, P., Nitrini, R., Brucki, S. M. D., Laks, J., Mukadam, N., Livingston, G., & Ferri, C. P. (2025). The potential for dementia prevention in Brazil: a population attributable fraction calculation for 14 modifiable risk factors. The Lancet Regional Health - Americas, 49. https://doi.org/10.1016/j.lana.2025.101209
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Há um artigo canônico sobre prevenção de Alzheimer pelo Lancet.(Livingston et al., 2024) A discussão é tão relevante, que desde a sua primeira publicação em 2018 ele já passou por 3 novas revisões, a última de 2024. A discussão é tão relevante, que vários países fizeram pesquisas similares, e organizaram os dados com a mesma forma gráfica de visualização. A discussão é tão relevante que temos uma versão brasileira, publicada em 2025(Suemoto et al., 2025), segue o gráfico abaixo:

O artigo original, cuja leitura eu recomendo a todo residente de geriatria, é imprescindível para compreender o porquê de se discutir MEV para médicos em formação.
A partir de agora posso dizer que recomendo a leitura do artigo a todos que me leem, ou que porventura me lerão. Recomendaria que após a leitura do artigo vocês conversem com a comunidade onde estão inseridos. Na mesa de jantar, na escola dos filhos, no grupo religioso que frequentam. Recomendaria que fosse tema obrigatório nas salas de aula do primário.
Voltando ao tema: Como disse previamente, o raciocínio do “começar pelo porque” é cíclico. Seria interessante que não o abandonassem, vou voltar a ele várias vezes ao longo das nossas conversas no futuro, ok?
Então, vamos lá. Por que você falar de Alzheimer numa coluna de MEV, Lucas?
Esse tema não seria mais adequado a coluna de longevidade?
Porque o Alzheimer é uma doença da idade adulta, profundamente sensível ao estilo de vida das pessoas, e que se manifesta após os 65 anos de idade.
Esse argumento não é meu, ouvi em um podcast e não me recordo o autor da frase, mas me impactou profundamente.
Os fatores de risco descritos no artigo levam a danos cumulativos, uma sobreposição de riscos absolutamente evitáveis, contornáveis ou controláveis, que se manifestam como doença de Alzheimer apenas quando nos tornamos idosos.
Esses fatores de risco não causam danos imediatos visíveis, e por isso acabam não sendo valorizados.
O gráfico acima mostra os fatores de risco atribuíveis, que se devidamente tratados reduziriam o risco de Alzheimer.
No Brasil, 59,5% dos casos de Alzheimer seriam evitáveis, caso tratássemos de maneira efetiva as condições listadas.

Construção própria, adaptado de (Livingston et al., 2024; Suemoto et al., 2025)
Todas as condições listadas são diretamente afetadas por políticas de saúde pública, mas acredito que a maioria de nós nunca pensou em isolamento social ou mesmo educação infantil como saúde pública. Certamente nunca havia passado pela minha cabeça antes de estudar o tema que a quantidade de anos que uma criança passa na escola teria impacto no seu envelhecimento, ou no risco que essa pessoa tem de desenvolver Alzheimer quando se tornar idoso. A discussão em torno desse tema é fascinante, envolve com a construção de conexões entre neurônios (tambem chamadas de sinapses) decorre dos estímulos recebidos na infância.
Essas conexões protegem nosso cérebro do impacto da perda neuronal que ocorre com o envelhecimento, diminuindo o risco de desenvolvimento de Alzheimer.
No Brasil, 9% dos casos de demência podem ser atribuídos ao baixo nível educacional, no estudo descritos como 8 anos ou menos de educação formal. Não foram contabilizados aqui o aprendizado de uma segunda língua, a educação musical, o aprendizado de habilidades técnicas manuais, e várias outras vertentes de estímulo cognitivo que certamente impactam a formação de conexões neuronais, e que certamente contribuiriam de maneira positiva para a prevenção.
Outra forma de perceber o impacto de estímulos (dos mais variados) é olhar o quanto a perda auditiva e a perda visual impactam o risco de Alzheimer, 9,2 e 3,6% na população brasileira, respectivamente. O estímulo sensorial é fundamental para a manutenção das sinapses entre neurônios. Da mesma forma que um musculo que inativo atrofia, as sinapses perdem a função na ausência de estímulos, aumentando o risco de Alzheimer de quem não corrige problemas visuais, fazendo a cirurgia de catarata, por exemplo, ou a perda auditiva, ao colocar uma prótese auditiva.
O mesmo raciocínio se aplica ao isolamento social. A definição de isolamento social pelo estudo foi de “ver amigos ou familiares menos de uma vez por mês”. No âmbito do estudo inglês, o impacto do isolamento social foi muito maior, com 5% dos casos podem ser atribuídos. A falta de pessoas com quem falar, com quem interagir, gera um aumento significativo do risco. A título de comparação, o risco atribuído a fatores genéticos no estudo de 2018 foi de 8%.
Pode parecer trivial, não? Afinal, estamos falando de coisas que usualmente não são discutidas no âmbito de saúde pública. Afinal nunca falamos sobre prevenir Alzheimer. Os fatores que citei até agora possuem um impacto atribuível somado de 18,9%, e confesso que nunca tive um paciente que tenha me procurado por preocupações com a própria memória correlacionando a queixa com esses fatores de risco. Todos chegam preocupados com a Herança Genética, quando na verdade a discussão tem uma relação muito mais profunda com hábitos familiares e epigenética do que um gene específico.
Uma perspectiva, infinitamente mais interessante para a discussão, é de que não existe nenhuma medicação que possua qualquer impacto similar na redução de risco na Doença de Alzheimer.
Atualmente (dado atualizado dia 05 de maio de 2026) existem 158 medicamentos para o tratamento da doença de Alzheimer no pipeline de desenvolvimento de medicamentos de 2026. 55.000 participantes são necessários para preencher todos os ensaios atualmente ativos, com um investimento massivo da indústria biofarmacêutica, 59% de todos os ensaios e 72% dos ensaios de Fase 3 são patrocinados pela indústria.(Cummings et al., 2026).
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A segunda é falarmos sobre como podemos apoiar as pessoas a realizarem mudanças, como engajá-las e como sustentar essa mudança. Como já disse, teremos tempo. E ao longo do tempo teremos ambos conteúdos na coluna, mas gostaria da opinião para construir o cronograma. Sobre o que gostariam de conversar primeiro?
Referências bibliográficas
Cummings, J. L., Zhou, Y., Yang, Y., Zhong, K., Fonseca, J., Osse, A. L., & Cheng, F. (2026). Alzheimer’s disease drug development pipeline: In Alzheimer’s and Dementia: Translational Research and Clinical Interventions (Vol. 12, Number 2). John Wiley and Sons Inc. https://doi.org/10.1002/trc2.70251
Livingston, G., Huntley, J., Liu, K. Y., Costafreda, S. G., Selbæk, G., Alladi, S., Ames, D., Banerjee, S., Burns, A., Brayne, C., Fox, N. C., Ferri, C. P., Gitlin, L. N., Howard, R., Kales, H. C., Kivimäki, M., Larson, E. B., Nakasujja, N., Rockwood, K., ... Mukadam, N. (2024). Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. In The Lancet (Vol. 404, Number 10452, pp. 572–628). Elsevier B.V. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(24)01296-0
Suemoto, C. K., Borelli, W. V., Calandri, I. L., Bertola, L., Castilhos, R. M., Caramelli, P., Nitrini, R., Brucki, S. M. D., Laks, J., Mukadam, N., Livingston, G., & Ferri, C. P. (2025). The potential for dementia prevention in Brazil: a population attributable fraction calculation for 14 modifiable risk factors. The Lancet Regional Health - Americas, 49. https://doi.org/10.1016/j.lana.2025.101209
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- Educação e treinamento
- Comunidade de relacionamento embarcada
- Gamificação da jornada
- Tira-dúvidas com IA 24/7
- Detecção de lacunas de aprendizagem
- Automação de avaliações e certificações
- Controle de prazos de revalidação
- Conexão com intervenções presenciais
- Relatórios inteligentes para tomada de decisão.
Seu processo de recertificação nunca mais será o mesmo. Além disso, a satisfação dos colaboradores e o impacto nas rotinas de trabalho gerarão benefícios administrativos e assistenciais.
Sua equipe evolui. Sua gestão acompanha. Seu hospital adquire uma cultura de aprendizagem em jornadas contínuas. Seus resultados aparecem.
SAIBA MAIS
Transforme o seu hospital criando uma jornada de aprendizado contínua, rastreável e totalmente automatizada.
Ajudamos você a capacitar pessoas em escala, oferecendo:
- Educação e treinamento
- Comunidade de relacionamento embarcada
- Gamificação da jornada
- Tira-dúvidas com IA 24/7
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Seu processo de recertificação nunca mais será o mesmo. Além disso, a satisfação dos colaboradores e o impacto nas rotinas de trabalho gerarão benefícios administrativos e assistenciais.
Sua equipe evolui. Sua gestão acompanha. Seu hospital adquire uma cultura de aprendizagem em jornadas contínuas. Seus resultados aparecem.

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