Os médicos são os melhores CEOs de hospitais?

A crescente complexidade do sistema de saúde, cada vez mais exige competências extraordinárias de seus gestores. Dentro desse ecossistema, os hospitais talvez sejam as estruturas mais desafiadoras pela sua grandeza, estrutura física, grande número de colaboradores com diferentes formações, e público altamente demandante. Cuidar da saúde das pessoas não é tarefa trivial e cada vez mais o cuidado centrado no paciente exige dos lideres um olhar especial e humano.

Num ambiente em que a inteligência artificial (IA) invade competências cada vez maiores, o desafio só aumenta.

Fui gestor de hospital por décadas. Os médicos sempre foram vistos como incapazes de gestão financeira adequada e médica simultaneamente. Talvez porque no passado realmente a formação médica era totalmente voltada a aspectos técnicos relacionados ao cuidado do paciente, e não a gestão. Sempre acreditei que os médicos são os melhores CEOs de hospitais. Basta formá-los para isso que o “milagre” acontece.

Um dos primeiros estudos que evidenciou que ter um médico no papel de CEO garantia melhores resultados foi publicado no British Medical Journal em 2011. Avaliando 100 melhores hospitais americanos, observou-se que a presença de um médico na posição de CEO era associada a melhores resultados tanto financeiros quanto assistências. Esses resultados foram seguidas vezes comprovados em estudos subsequentes. Alguns mostraram que os resultados financeiros eram semelhantes com gestores médicos e não médicos, mas os resultados assistenciais eram superiores nas instituições em que o CEO tinha formação médica. Em média, os resultados clínicos (mortalidade, infecções, tempo de permanência) eram 25% melhores. Um interessante artigo publicado na Harvard Business Review em 2016 cujo autor principal, James Stoller. listou pontos que poderiam explicar esse fenômeno e me encarreguei de acrescentar algumas que considero importantes.

1 - Médicos na cadeira de CEO trazem consigo credibilidade ao corpo médico e de enfermagem. Principalmente se o eleito já for membro do corpo de colaboradores do hospital. Alguem que já trilhou diferentes departmentos sabe como é o “chão da fábrica”. É o famoso “ walk the talk” que leva ao melhor alinhamento dos colaboradores. O escritório de um CEO médico é o corredor do hospital, o centro cirúrgico, áreas assistenciais.

2 - Olhar centrado no paciente. Essa história começou quando CEO da Cleveland Clinic, Dr Toby Cosgrove, foi fazer uma palestra na Harvard Medical School falando orgulhosamente dos seus indicadores de eficiência médica. Na sessão de perguntas uma aluna pediu a palavra e falou que a família dela havia decidido procurar outro hospital apesar dos excelentes resultados clínicos. E falou o motivo: vocês na Cleveland não tem empatia! De fator apesar dos resultados clínicos da instituição serem os melhores do mundo, as avaliações dos pacientes eram bastante desanimadoras. Depois disso Dr Cosgrove entendeu o que faltava. A própria formação médica traz em seu arcabouço, a visão de que o paciente vem em primeiro lugar. Aliás a campanha que mudou a reputação da Cleveland Clinic foi chamada “Patient first” . Foco total na experiência do paciente.

3 - Médicos CEOs conseguem equilibrar a eficiência operacional e financeira com o propósito de cuidar da saúde, liderando equipes de especialistas com mais propriedade.

4 - Capacidade de gerenciamento de crises. A crise da Covid -19 mostrou que uma liderança médica era fundamental para o direcionamento em uma situação completamente inédita e gravíssima. Que demandava decisões baseadas em poucas informações.

5 - Ponto de atenção: o diploma médico geralmente não é suficiente para ocupar essa cadeira. Uma especialização subsequente em gestão e finanças é fundamental. É da natureza do médico a atividade de educação continuada, a curiosidade e vontade de aprender é inerente o profissional médico. Vejo isso como uma extensão das especializações. Algumas faculdades de medicina estão mais atentas a estes pontos. Mesmo porque o médico já deve se considerar um “gestor” num simples plantão ou numa chefia de unidade.

6 - Pela dificuldade de formação é uma carreira demandada e valorizada, mas veja a experiencia clínica prévia, a meu ver , acrescenta valor nesse profissional (novamente o “Walk the talk”).

Pode-se parar aqui e argumentar que o Diretor médico é a figura que deve ter essas competências e desempenhar esse papel, e não o CEO (ou diretor geral). Na verdade, eu concordo apenas em parte com essa visão. Se tivermos um CEO com formação médica, decisões administrativas, muitas vezes baseadas em planilhas e números frios tendem a serem melhor consideradas com uma ótica mais humanizada e focada no que deve ser feito: o cuidado do paciente.

Na atual conjuntura em que preocupações empresariais, financeiras e tecnológicas passaram a dominar o ambiente de negócios hospitalares, e a IA cada vez mais desempenha e substitui as competências humanas, quanto mais a alta gestão tiver o olhar humanizado, provavelmente melhores serão os resultados de longo prazo. Está cientificamente demonstrado que uma atitude empática e compassiva por parte do médico e corpo assistencial faz toda a diferença. Temos que garantir que a alta gestão também tenha esse olhar.


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rastreável e totalmente automatizada.

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- Controle de prazos de revalidação

- Conexão com intervenções presenciais

- Relatórios inteligentes para tomada de decisão.


Seu processo de recertificação nunca mais será o mesmo. Além disso, a satisfação dos colaboradores e o impacto nas rotinas de trabalho gerarão benefícios administrativos e assistenciais.


Sua equipe evolui. Sua gestão acompanha. Seu hospital adquire uma cultura de aprendizagem em jornadas contínuas. Seus resultados aparecem.

SAIBA MAIS

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A crescente complexidade do sistema de saúde, cada vez mais exige competências extraordinárias de seus gestores. Dentro desse ecossistema, os hospitais talvez sejam as estruturas mais desafiadoras pela sua grandeza, estrutura física, grande número de colaboradores com diferentes formações, e público altamente demandante. Cuidar da saúde das pessoas não é tarefa trivial e cada vez mais o cuidado centrado no paciente exige dos lideres um olhar especial e humano.

Num ambiente em que a inteligência artificial (IA) invade competências cada vez maiores, o desafio só aumenta.

Fui gestor de hospital por décadas. Os médicos sempre foram vistos como incapazes de gestão financeira adequada e médica simultaneamente. Talvez porque no passado realmente a formação médica era totalmente voltada a aspectos técnicos relacionados ao cuidado do paciente, e não a gestão. Sempre acreditei que os médicos são os melhores CEOs de hospitais. Basta formá-los para isso que o “milagre” acontece.

Um dos primeiros estudos que evidenciou que ter um médico no papel de CEO garantia melhores resultados foi publicado no British Medical Journal em 2011. Avaliando 100 melhores hospitais americanos, observou-se que a presença de um médico na posição de CEO era associada a melhores resultados tanto financeiros quanto assistências. Esses resultados foram seguidas vezes comprovados em estudos subsequentes. Alguns mostraram que os resultados financeiros eram semelhantes com gestores médicos e não médicos, mas os resultados assistenciais eram superiores nas instituições em que o CEO tinha formação médica. Em média, os resultados clínicos (mortalidade, infecções, tempo de permanência) eram 25% melhores. Um interessante artigo publicado na Harvard Business Review em 2016 cujo autor principal, James Stoller. listou pontos que poderiam explicar esse fenômeno e me encarreguei de acrescentar algumas que considero importantes.

1 - Médicos na cadeira de CEO trazem consigo credibilidade ao corpo médico e de enfermagem. Principalmente se o eleito já for membro do corpo de colaboradores do hospital. Alguem que já trilhou diferentes departmentos sabe como é o “chão da fábrica”. É o famoso “ walk the talk” que leva ao melhor alinhamento dos colaboradores. O escritório de um CEO médico é o corredor do hospital, o centro cirúrgico, áreas assistenciais.

2 - Olhar centrado no paciente. Essa história começou quando CEO da Cleveland Clinic, Dr Toby Cosgrove, foi fazer uma palestra na Harvard Medical School falando orgulhosamente dos seus indicadores de eficiência médica. Na sessão de perguntas uma aluna pediu a palavra e falou que a família dela havia decidido procurar outro hospital apesar dos excelentes resultados clínicos. E falou o motivo: vocês na Cleveland não tem empatia! De fator apesar dos resultados clínicos da instituição serem os melhores do mundo, as avaliações dos pacientes eram bastante desanimadoras. Depois disso Dr Cosgrove entendeu o que faltava. A própria formação médica traz em seu arcabouço, a visão de que o paciente vem em primeiro lugar. Aliás a campanha que mudou a reputação da Cleveland Clinic foi chamada “Patient first” . Foco total na experiência do paciente.

3 - Médicos CEOs conseguem equilibrar a eficiência operacional e financeira com o propósito de cuidar da saúde, liderando equipes de especialistas com mais propriedade.

4 - Capacidade de gerenciamento de crises. A crise da Covid -19 mostrou que uma liderança médica era fundamental para o direcionamento em uma situação completamente inédita e gravíssima. Que demandava decisões baseadas em poucas informações.

5 - Ponto de atenção: o diploma médico geralmente não é suficiente para ocupar essa cadeira. Uma especialização subsequente em gestão e finanças é fundamental. É da natureza do médico a atividade de educação continuada, a curiosidade e vontade de aprender é inerente o profissional médico. Vejo isso como uma extensão das especializações. Algumas faculdades de medicina estão mais atentas a estes pontos. Mesmo porque o médico já deve se considerar um “gestor” num simples plantão ou numa chefia de unidade.

6 - Pela dificuldade de formação é uma carreira demandada e valorizada, mas veja a experiencia clínica prévia, a meu ver , acrescenta valor nesse profissional (novamente o “Walk the talk”).

Pode-se parar aqui e argumentar que o Diretor médico é a figura que deve ter essas competências e desempenhar esse papel, e não o CEO (ou diretor geral). Na verdade, eu concordo apenas em parte com essa visão. Se tivermos um CEO com formação médica, decisões administrativas, muitas vezes baseadas em planilhas e números frios tendem a serem melhor consideradas com uma ótica mais humanizada e focada no que deve ser feito: o cuidado do paciente.

Na atual conjuntura em que preocupações empresariais, financeiras e tecnológicas passaram a dominar o ambiente de negócios hospitalares, e a IA cada vez mais desempenha e substitui as competências humanas, quanto mais a alta gestão tiver o olhar humanizado, provavelmente melhores serão os resultados de longo prazo. Está cientificamente demonstrado que uma atitude empática e compassiva por parte do médico e corpo assistencial faz toda a diferença. Temos que garantir que a alta gestão também tenha esse olhar.


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Fui gestor de hospital por décadas. Os médicos sempre foram vistos como incapazes de gestão financeira adequada e médica simultaneamente. Talvez porque no passado realmente a formação médica era totalmente voltada a aspectos técnicos relacionados ao cuidado do paciente, e não a gestão. Sempre acreditei que os médicos são os melhores CEOs de hospitais. Basta formá-los para isso que o “milagre” acontece.

Um dos primeiros estudos que evidenciou que ter um médico no papel de CEO garantia melhores resultados foi publicado no British Medical Journal em 2011. Avaliando 100 melhores hospitais americanos, observou-se que a presença de um médico na posição de CEO era associada a melhores resultados tanto financeiros quanto assistências. Esses resultados foram seguidas vezes comprovados em estudos subsequentes. Alguns mostraram que os resultados financeiros eram semelhantes com gestores médicos e não médicos, mas os resultados assistenciais eram superiores nas instituições em que o CEO tinha formação médica. Em média, os resultados clínicos (mortalidade, infecções, tempo de permanência) eram 25% melhores. Um interessante artigo publicado na Harvard Business Review em 2016 cujo autor principal, James Stoller. listou pontos que poderiam explicar esse fenômeno e me encarreguei de acrescentar algumas que considero importantes.

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Na atual conjuntura em que preocupações empresariais, financeiras e tecnológicas passaram a dominar o ambiente de negócios hospitalares, e a IA cada vez mais desempenha e substitui as competências humanas, quanto mais a alta gestão tiver o olhar humanizado, provavelmente melhores serão os resultados de longo prazo. Está cientificamente demonstrado que uma atitude empática e compassiva por parte do médico e corpo assistencial faz toda a diferença. Temos que garantir que a alta gestão também tenha esse olhar.


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